segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O BEIJO DA DISCÓRDIA



Acredito que todos acompanharam o beijo entre duas jovens de 17 e 18 anos que acabou virando caso de polícia, no último sábado, no Rio de Janeiro. O palco da confusão foi o bairro do Leblon, zona Sul da cidade.

Assisti à reportagem e fazia tempo que não via tanta palhaçada junta. Um moralista cinquentão, revoltado  e com muita vontade de liberar os seus mais obscuros desejos liga para a polícia militar que deveria estar trabalhando na segurança dos munícipes e os informa acerca de um beijo entre duas mulheres. Detalhe: uma era maior e a outra quase.

A polícia chega e acata o pedido homofóbico do cinquentão. Considera em tese, o ato, um possível caso de pedofilia. Na delegacia, descobrem que o beijo foi dado com consentimento e, depois de quase 24 horas de surrealismo, as duas são liberadas.

Ao meu sentir, os membros de nossa sociedade  tentam todos os dias evoluirem no que concerne a liberação sexual ou pelo menos na tolerância. Entretanto, entre a doutrina e a prática existe um abismo a ser superado. O cinquentão homofóbico, do caso concreto, não resistiu ao prazer exalado pelas meninas e derrotado pela sua frustração, chama o Estado para punir.... olha o velho e bom Estado polícial interferindo novamente no rumo do cotidiano dos cidadãos. 

Não sabemos se as meninas eram lésbicas, bissexuais ou simlesmente liberais, tipo deu vontade de experimentar e fui..... O que interessa é que já passou da hora de respeitarmos as opções e os locais de manifestação sexual de todos.

Nosso homofóbico de plantão estava no mesmo bloco de carnaval que se encontravam as nossas animadas meninas, logo exposto às manifestações típicas das festas mundanas. Será que o nosso ancião dedo -duro estava esperando assistir atos religiosos ou cânticos de fé naquele bloco?

Vamos deixar a vida sexual dos outros de lado e vamos nos preocupar com o que interessa. Devemos deixar de lado a sexualidade alheia e nos preocupar com as eleições que se aproximam. e nos reflexos que ela terá em nosso cotidiano.

O titio homofóbico deve ter pensado naquele momento: será que as minhas netas fazem isso? E o meu filho mais novo? Meu Deus, será que isso pega ou é contagioso? 

Fique preocupado não tio, pois a homossexualidade não pega.


O problema de muitos é ter que manter-se no armário por imposições sociais, religiosas e familiares.

Cada um na sua.

Acorda Brasil!

Cláudio Andrade     

4 comentários:

Splanchnizomai abraçando o amanhã. disse...

Imposição descabida.

Ora veja só. O quê que este senhor tem com a vida dos outros? Em quê estas duas o estava prejudicando? É a tal mania de querer meter o Estado onde não é chamado.

Acabei de fazer uma postagem sobre isso.Veja:
http://brasiletuahorajesusteama.blogspot.com/2010/02/nao-sei-quem-inventou-esta-de-que.html

Marcelo Bessa disse...

Cláudio:
ao que consta o cara reclamou porque uma das meninas era menor de idade e não por serem duas mulheres (eu não disse que concordo com o que ele fez).
Não vi homofobia alguma no episódio (pode até ter, mas na reportagem isso não foi abordado).
Se era para ele fazer algo ou não é outra coisa. Acho que era para deixar para lá, até porque penso que também não tinha pedofilia alguma. Ex: quando eu tinha 30 anos comecei a namorar uma moça na véspera do aniversário de 17 anos dela (ainda bem que ninguém chamou a Polícia na época...) e não se tratava de pedofilia.
Na minha opinião foi exagero (ou moralismo excessivo), não homofobia.
Abração, Claudinho. Lembranças à sua família.

Cláudio Andrade disse...

Amigo Marcelo

Não precisa dizer que vc sempre foi um grande namorador. Eu sempre soube e refiro-me a sua época de solteiro claro.

Bom ler as suas argumentações. Obrigado

claudinho

Marcelo Bessa disse...

kkkkkkkkkkk