"Respeito a decisão da Justiça e creio que tudo isso serviu como aprendizado"
"Em 2004, aos 22 anos de idade, comecei a publicar artigos na Folha da Manhã. Naquela época, em meio a uma guerra entre Anthony Garotinho e Arnaldo Vianna, entendi que o melhor para Campos seria evitar que o ex-governador voltasse a dar as cartas no município.
Para defender o meu ponto de vista, usei palavras duras e fui, de certa forma, ingênuo. Agora, aos 28 anos, fiquei sabendo que por conta de dois artigos publicados em 2004, fui condenado, ao lado da Folha da Manhã, pela 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a indenizar Garotinho em R$ 8 mil.
Respeito a decisão da Justiça e creio que tudo isso serviu como aprendizado. No entanto, é importante lembrar que em 2004 eu não atuava como repórter do jornal. Era um colaborador como outros tantos que opinavam e ainda opinam na página 2 da Folha.
A Justiça entendeu que se tratava de uma matéria jornalística, quando na verdade o artigo expressava uma opinião. Mas como tudo tem limite, vejo que a minha opinião poderia ter sido demonstrada de uma forma mais branda. Não vou me fazer de vítima e dizer que estou sendo perseguido. Isso combina muito mais com o Garotinho do que comigo.
Perto dos 30 anos, já começo a perceber que gritos e desabafos não resolvem muita coisa. A grande coragem é a prudência. Muitos perguntam se a minha indignação morreu, se concordo com tudo que está aí. Não, ela continua bem viva e discordo de muitas coisas. Porém, ao invés de ficar na arquibancada xingando, resolvi jogar. E posso dizer que no campo as coisas são bem mais complicadas do que pareciam. Sei que vou me decepcionar, acertar e errar. Mas não irei desistir. E apesar de não concordar com várias atitudes do Garotinho, tenho que admitir que ele sabe muito bem perder e se reerguer.
O seu grupo perdeu a eleição de 2004, perdeu a suplementar de 2006 e conseguiu voltar ao poder com Rosinha em 2008. Como diria o escritor José Saramago: “O que as vitórias têm de ruim é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas”.
Alexandre Bastos
Jornalista
Comento no blog:
Não tenho o Direito de fazer Juízo de valor acerca da decisão, mas é muito bom ler um autêntico jornalista fazendo uma reflexão de seu amadurecimento profissional.
A atitude de Bastos merece aplausos, afinal mesmo derrotado na lide, sai vitorioso na honra. Bom seria, caro Bastos, se um pseudo jornalista, persona não grata na Sexta Bienal do Livro, pudesse aprender um pouco com você.
Cláudio Andrade