O Jornal do Brasil noticiou que o papa vai lançar um livro na terça-feira, onde ele afirma que o uso de preservativos é aceitável "em certos casos", especialmente para reduzir o risco de infecção do HIV, em uma aparente flexibilização de sua postura a respeito do tema.
As palavras do maior líder da Igreja Católica não deixa de ser um bom sinal. Retrata ainda, mesmo de forma tardia e tímida, a concepção dos homens cristãos e não da Igreja, de que o sexo é necessário, ocorre cada vez mais cedo, não visa somente a procriação, motiva o fim de muitos relacionamentos e é gerador de inúmeras enfermidades.
A expressão "alguns casos" precisa ser evoludida para "todos os casos", afinal entre marido e mulher, o preservativo também deveria ser utilizado mais vezes. A sua exporádica utilização entre os casados é fruto de uma má fama, onde a camisinha, no sexo caseiro, tornou-se sinal de que alguém está traindo.
Pura bobagem e desconhecimento de causa. A prevenção sexual, antes de tentar evitar a gestação indesejada e as doenças sexualmente transmissíveis, protege o casal de suas próprias nuances orgânicas que não possui nada de pecaminoso.
O alto índice de portadores do vírus da AIDS não encontra, tão só, o verdadeiro eco nas diversas formas de sexualidade. A nossa dificuldade de colocarmos a preservação da vida acima de nossos dogmas religiosos e morais é ponto determinante.
Enquanto contnuarmos ignorando as inúmeras formas de relação sexual, seremos um pouco responsáveis pelo aumento das mortes oriundas das doenças do sexo. Precisamos orientar, prevenir e informar.
As nossas opções e opiniões acerca da delicada questão devem, em nome de um tempo útil para o debate responsável, serem guardadas no fundo da gaveta.
Cláudio Andrade