sexta-feira, 26 de julho de 2013

Um sonho, um mandado e uma segurança

Jornal Terceira Via.



Na última quarta-feira (24 de julho), a prefeita Rosinha Garotinho assinou a portaria 2501/2013, que convoca e nomeia Elissandra Barcelos Teixeira para o cargo de Agente Comunitária de Saúde do Programa de Saúde da Família (PSF).

Tal ato administrativo da chefe do Executivo Municipal não teria qualquer diferencial se não fosse o fato de que referida convocação é oriunda do mandado de segurança 0050507-43.2012.8.190000, impetrado em face da atual Administração Pública de nosso município.

O concurso pelo qual a autora do mandado de segurança foi aprovada é referente ao Edital 01/08, publicado no dia 1o de outubro de 2008, e homologado por meio da Portaria 830/10.

O pedido da postulante foi deferido pela 9º Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o que mostra (mais uma vez) que parcela considerável de aprovados em concurso tem ingressado nos quadros da prefeitura em virtude de ordem judicial.

Esse dado comprova que o Poder Judiciário tem sido preponderante para que a aprovação de campistas em concurso seja efetivada e que seus esforços sejam reconhecidos.

A concessão de mais uma ordem mandamental traz novamente à tona uma básica indagação: por que a Prefeitura de Campos (por meio de sua chefe) sempre aguarda uma decisão judicial para nomeação quando deveria cumprir tal dever sem qualquer intervenção?

Há má vontade política! O que está sendo vislumbrado pela Justiça que não é visto pela prefeitura no que concerne às convocações? Qual fórmula aritmética está sendo usada para gerar numerário para remuneração dos novos servidores se a principal alegação para a não convocação é a falta de verba?

A cada novo deferimento em sede de mandado de segurança, os agentes públicos e a própria prefeita têm seus discursos fragilizados. Como compreender a prévia negatória administrativa se, posteriormente, sobre o mesmo objeto há uma chancela judicial?

A Justiça tem realizado o sonho de muitos campistas de uma estabilidade financeira por meio de concurso público. Mesmo que essa realização se dê em tempo maior do que o esperado, revitaliza-se a esperança de que vale a pena acreditar quando o direito é certo.

Não nos traz conforto algum ver que o Poder Executivo de nossa cidade não vem dando à sociedade satisfação plausível quando se trata de concurso do PSF.

Um concurso que surgiu “no apagar das luzes” do Governo Mocaiber; foi suspenso em ação movida por Edson Batista (Presidente da Câmara de Vereadores de Campos) e homologado por Nelson Nahim (Presidente da Fenorte) quando estava interino, no cargo de prefeito, por conta do afastamento de Rosinha.

O resgate do sonho de Elissandra Barcelos Teixeira serve de incentivo para aqueles que também lutaram para um futuro fincado na estabilidade e que, uma vez aprovados, por inúmeras questões políticas e administrativas, sentem o gosto amargo de ganhar e não levar.

Em verdade, estamos diante de mais um caso que pode ser ilustrado pela célebre frase do romancista polonês Günter Grass (na Obra “O Tambor”): “Hoje sei que tudo vigia; nada passa sem ser visto”.

Cláudio Andrade

2 comentários:

Anônimo disse...

É muita cara de pau da Sr Prefeita. Até hoje estamos esperando satisfação sobre esse Concursados.

Anônimo disse...

Não tem que ter um novo processo seletivo. Tem que chamar os aprovados no Concurso de 2008.