Atendendo aos e-mails tentarei apresentar um panorama dos efeitos das eleições municipais na estadual do Rio de Janeiro. O Estado tem, ao meu sentir, três forças políticas. Sérgio Cabral, Garotinho e César Maia.
Sérgio Cabral, apesar de ocupar a cadeira máxima do Executivo Estadual não conseguiu influenciar muito nas eleições municipais. Poucos foram eleitos sob sua influência. Fato marcante foi a vitória de Eduardo Paes.
Eduardo, antes uma grande 'zebra', cresceu e foi ao segundo turno contra o Deputado Federal mais votado do Estado do Rio, Fernando Gabeira. A ínfima diferença de votos entre Paes e Gabeira denuncia a dificuldade do Governador em angariar votos. Mesmo assim elegeu o seu candidato. Muitos comentam que o feriado decretado por Cabral levou para o litoral muitos eleitores de Gabeira. Pode ser lenda urbana!
Garotinho foi fadado por muitos ao fim de carreira, entretanto em menos de dois anos elege a mulher prefeita e a filha vereadora no Rio de Janeiro. Notem bem! Oito anos de governo (Garotinho e Rosinha) 1998 a 2006, eleição da esposa para prefeita de Campos (04 anos mínimos no poder) e a eleição de sua filha (04 anos no mínimo).
César Maia passa a ser uma incógnita. Seu partido se encontra desestruturado e centralizado em suas mãos. Além disso, leva consigo, do anos no governo municipal, o natural desgaste.
Garotinho, caso tenha realmente o interesse em ser governador de Estado terá que sair do PMDB, partido onde ele preside a executiva estadual. Essa hipótese se fortalece na medida em que o Governador de São Paulo José Serra dificilmente não será candidato a Presidência da República. Hipótese fortalecida com a derrota de Geraldo Wackmin para a Prefeitura de São Paulo.
Para isso, José Serra precisa de palanques fortes no Estado do Rio, o terceiro maior colégio eleitoral do país, onde o PSDB é historicamente fraco, principalmente na baixada Fluminense e Região Metropolitana.
Nessas regiões José Camilo Zito e Garotinho exercem forte influência no eleitorado. Isso se deve ao forte investimento do Governo Municipal de Zito (vários mandatos) e do Estado na gestão de Garotinho e Rosinha.
Partindo desse raciocínio, Serra lança Garotinho para Governador e Zito para vice, disputando a eleição contra a chapa encabeçada por Cabral e um vice da baixada, que pode ser Lindberg Farias, Prefeito reeleito de Nova Iguaçu.
César Maia deve buscar um aliado no PDT, que se fortaleceu depois de algumas vitórias na baixada e principalmente em Niterói com Roberto da Silveira.
Formaríamos nesse cenário as seguintes chapas. Sérgio Cabral/vice Lindberg Faria (PMDB/PT), Garotinho/vice Zito (PSDB, chapa pura), Roberto da Silveira/ Vice (indicação de César Maia) (PDT/DEM).
Nesse cenário teríamos um segundo turno com Cabral e Garotinho. Cabral iria para o segundo turno com os votos da Capital, da base aliada e surfando nas obras do Governo Federal. Sem contar com a sua própria máquina administrativa Estadual.
Garotinho iria para o segundo turno com os votos da Baixada Fluminense. Seus e de Zito. São mais de dois milhões de votos. No interior, Rosinha daria base eleitoral junto ao municípios, principalmente Campos.
Para Cabral quem faria essa função é Arnaldo Vianna, principalmente para tirar votos de Garotinho em Campos. Apopio de Arnaldo partindo do princípio de que achapa PDT/DEM apoaríam Cabral no segundo turno.
Cláudio Andrade.