Com certeza, a dispensa da Prefeitura Municipal de Campos de cerca de seis mil contratados tomou contornos pessoais e consolidou-se como um drama pessoal, social e administrativo. Não nos restam dúvidas de que o concurso público é o caminho mais legítimo para o ingresso na Administração Pública; entretanto, não podemos considerar os atos de dispensa como um marco ou mesmo, como o início de uma nova era.
A situação é a pior possível e nenhum candidato a prefeito, até o presente momento, manifestou-se a respeito tampouco apresentou uma solução. Espero que Deus ajude os escolhidos. Quanto aos direitos, a Justiça deve ser o caminho seguido.
A minha preocupação com o reflexo das dispensas deve-se ao seguinte fato: o foco está sendo desviado! Parece-nos que os contratados são os vilões desse processo. Não são! Grande parte deles foi capitaneada devido às suas necessidades, seus baixos níveis de escolaridade e pela resistência histórica que possuem os chefes do Executivo em organizar concursos públicos.
Estou solidário aos dispensados por questão humanitária. É inadmissível analisar a questão apenas aos ‘olhos’ da legislação.
Certas decisões judiciais têm reflexos sociais enormes com conseqüências dramáticas. Quando os funcionários do PSF foram dispensados, muitos se manifestaram em defesa dos acamados e a própria Administração Municipal argüiu, em matéria de defesa, o impacto social a fim de retornar os serviços.
Ao meu sentir, o problema agora é o mesmo, se não for de maior gravidade. A perda de um emprego é algo profundamente triste e que gera efeitos diretos na saúde, na vida financeira e no próprio convívio familiar.
Louvar a decisão judicial e congratular a Administração Pública pelo seu cumprimento é balela. Precisamos nos mobilizar para buscarmos uma forma de equacionar esse débito social que se desponta, pois os efeitos das dispensas já deságuam no comércio, na saúde, nos bancos escolares e no íntimo familiar de todos.
Responsabilizar a Prefeitura é discurso de político. Nossa cidade é pobre e a grande prova disso é grande parte de nossos munícipes dependerem dos cofres municipais para sobreviverem. Isto é falência social!
Sou totalmente favorável ao concurso público mesmo sabendo que o próximo prefeito não realizará nenhum pelo menos nos dois primeiros anos de gestão (opinião minha). Agora: não me peçam para ser insensível e fechar os meus olhos para tanta tristeza. Tenho certeza de que todos que lerem este artigo conhecem alguém que, nesse momento, sofre por não fazer parte dos quadros funcionais e sim, das estatísticas de desemprego. Por isso, legal sim; festivo não!!!
Artigo de minha autoria publicado hoje no jornal o Diário. (quinta-feira)