Na qualidade de presidente da Comissão Constitucional de Justiça e Redação Final da Câmara de Vereadores de Campos, recebi o processo 1566/2017 que pede a alteração na Lei 7.956 de 14 de novembro de 2007 que cria o Programa Municipal de Transferência de Renda e o Processo 1567/2017 que visa alteração da Lei 8.577 de 26 de novembro de 2014 que dispõe sobre o Programa Campos Cidadão, o Conselho Municipal de Transporte e o Fundo Municipal de Transporte.
Não restam dúvidas de que se trata de dois processos de grande reflexo social e que vem gerando uma enorme repercussão negativa junto à parcela considerável da população campista.
Como vereador não posso me esquivar do debate, mesmo fazendo parte da bancada que apóia o Prefeito Rafael Diniz, pois ser um legislador alinhado não é sinônimo de um edil de cabresto e que não discute ou debate as mensagens enviadas pelo Executivo ao Legislativo.
A situação é crítica e a intenção governamental visa diminuir os gastos que estão sendo aplicados nesses programas sociais que já foram incorporados à economia do campista, principalmente daqueles que possuem uma renda baixa.
Dentro desse contexto surge o ponto nodal de toda a discussão: por que essas pessoas inseridas nos dois programas continuam neles até hoje? Quais foram as ações governamentais posteriores realizadas que retiraram esses cidadãos desse estado ‘comatoso’ e os colocaram em situação de vulnerabilidade menor?
Ora! Iremos discutir as alterações no Programa Municipal de Transferência de Renda de 2007- em atividade há dez anos- e do Programa Campos Cidadão de 2014- em atividade há três anos- sem sequer avaliarmos o que eles trouxeram de qualificação, crescimento econômico e dignidade aos contemplados?
Alguns estão ‘escrevendo com o fígado’ e focando apenas na péssima repercussão social das medidas governamentais que serão debatidas na Casa de Leis, mas são incapazes de se levantarem para proporem uma retrospectiva e pinçarmos o sucesso ou a trágica trajetória dos referidos programas.
Confesso que os vereadores dessa nova legislatura estarão diante de seu maior desafio até o presente momento. Terão que aprovar ou negar reclames do Executivo que mexem com o bolso do eleitor e dos empregadores.
Deixando de lado as narrativas amargas e desencontradas de ex-detentores do poder em nossa cidade, precisamos enfrentar o tema de frente e isso não passa por uma aprovação simplória pelo simples fato de eu ser um vereador alinhado com o governo.
A chancela ou a reprovação precisa vir respaldada dos motivos pelos quais iremos votar, a favor ou contra, as medidas governamentais submetidas ao nosso crivo.
Há muita responsabilidade em jogo e essa preocupação deve nortear a todos. Afinal, o que for decidido no antigo Forum Nilo Peçanha vai agradar uns e contrariar outros e, nesse momento, sinto mais descontentamento do que aprovação nos meios sociais.
A semana será de intenso debate e a CCJ deverá se reunir na próxima quarta-feira para iniciar as deliberações acerca desses dois processos e, na qualidade de presidente da comissão, pretendo estudar as mensagens de acordo com a lei, com os impactos que elas poderão causar e também com profundo respeito ao cidadão campista, notadamente, os usuários de ambos os programas sociais.
Cláudio Andrade
Caro Vereador,
ResponderExcluirOs programas de transferência de renda são um marco na política de enfrentamento da pobreza extrema no Brasil com forte impacto positivo na saúde e educação de milhões de crianças e adolescentes.
Em Campos mesmo com as deturpações, manipulação e falta de controle social é também inegável o impacto na segurança alimentar de milhares de famílias e suas crianças.
O debate não pode criminalizar a pobreza ou estigmatizar o pobre como acomodado por continuar a receber o benefício após alguns anos pois temos perfis de famílias com grande número de mulheres e idosos com muita dificuldade de inserção no mercado de trabalho.
A reformulação necessária do programa deve adequa-lo a realidade e melhorá-lo nunca extingui-lo.
Migrar com todos os beneficiários para o Cadastro único do Bolsa Família e completar o benefício Federal com um valor possível neste momento é a meu ver uma boa saída.
Um abraço,
Renato Gonçalves.
Conselheiro do CMPDCA.